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Por Fernanda Lopes
Como Paulo Mendes Campos bem colocou, “amanhecer chorando, anoitecer dançando”. No meu caso, a vida é uma verdadeira maratona. Como professora, sou constantemente desafiada pelas inúmeras responsabilidades que assumo, e a correria do dia a dia me envolve de tal forma que mal consigo encontrar um momento de pausa. Acordo todos os dias muito cedo, antes mesmo de o sol se insinuar no horizonte. O despertador, insensível ao meu cansaço, toca ainda na escuridão da madrugada, me forçando a levantar enquanto tropeço nos meus próprios pensamentos, ainda meio atordoados pelo sono.
O café muitas vezes é tomado às pressas, entre um caderno e outro, enquanto tento organizar mentalmente o que preciso passar para os alunos. E, olha, cada dia é uma surpresa. Às vezes, chego à escola com uma aula super planejada, redondinha, perfeita no papel. Mas bastam três minutos de sala de aula para perceber que o mundo real não segue roteiros. Uma dúvida inesperada, uma história mirabolante que um aluno insiste em contar, um apagão na escola. Professor de verdade sabe que o improviso é uma arte e, sem falsa modéstia, eu já poderia ser condecorada com um diploma honorário de mestre na matéria.
Tem dias em que bate um cansaço de doer os ossos. O peso da responsabilidade, a correria, a sensação de que o tempo sempre falta. Mas aí vem uma aluna e me mostra, toda animada, uma história que escreveu sozinha. Outra chega contando que finalmente conseguiu ler um livro do início ao fim e que adorou. E eu? Eu renasço. Porque ensinar não é só trabalho, é enxergar pequenas vitórias onde o mundo nem sempre olha.
E então chega a melhor parte do dia: a noite. Meu coração se aquece só de pensar. Depois de horas correndo contra o relógio, abrir a porta e ver o meu amor ali, à minha espera, é um presente. O mundo lá fora continua girando, mas, por alguns instantes, ele deixa de existir. É quando posso respirar fundo, esquecer a pressa e simplesmente estar. Conversamos, dividimos silêncios confortáveis, rimos de coisas bobas. O dia pode ter sido longo e difícil, mas o abraço dele faz tudo valer a pena. Ficar ali, sentindo o calor dele, ouvindo sua voz perguntar como foi meu dia, é o que me dá forças para recomeçar tudo amanhã. É como recarregar as energias na certeza de que, não importa quão caótico o dia tenha sido, sempre haverá esse porto seguro à minha espera.
E amanhã? Amanhã começa tudo de novo. Mas, por hoje, eu já me permiti amanhecer chorando e anoitecer dançando.
Fernanda Lopes, Jornal Choraminhices.
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