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Por Jahmaycon
Eu estava assistindo ao seriado “O conta da Aia” e me deparei com uma cena das mais torpes se que se podem ver entre pessoas que usam da religião como ferramenta de controle e opressão. Embora tenha sido uma cena de um seriado distópico, o ocorrido é bem comum na realidade, um paradoxo perigoso que estamos presenciando em várias partes do mundo ocidental, que achávamos até bem pouco tempo, já termos superado essa fase.
A cena em questão mostra uma personagem (Serena Joy) tentando fazer um discurso fundamentalista, alegando que deseja salvar a raça humana, pois a taxa de natalidade está muito baixa. Obviamente que o discurso é um ataque ao progressismo, especialmente a liberdade de reprodução conquistada pelas mulheres e muitas poderem optar pelo direito de não terem filhos. Apesar do discurso de estarem preocupados com o futuro da humanidade, sabemos bem que essa humanidade não precisa se preocupar, pois estamos nos destruindo e em nenhum dos fronts é por causa da queda da natalidade, ao contrário, a superpopulação no planeta é o nosso carma.
O mais irônico de tudo no seriado, é que haverá um golpe de estado praticado pela turma fundamentalista, os mesmos que outrora se apresentavam extremamente preocupados com o futuro da humanidade, devido a queda na taxa de natalidade, dizimou metade da população do país. Tudo isso para instaurar um estado baseado no controle total das pessoas, inclusive seus corpos não lhes pertencerão mais.
O mais estarrecedor de tudo é saber que há na sociedade ocidental grupos que buscam fazer exatamente o mesmo que ocorreu no seriado: dizimar os discordantes e explorar suas mulheres (inclusive sexualmente). No seriado, existem as chamada aias, que são literalmente a versão das antigas mucamas do tempo da escravidão. Os homens que controlam a sociedade erradicaram toda forma de trabalho de suas esposas, elas passaram a ser meros objetos decorativos da casa, já que todo serviço é realizado pelas aias. Uma sociedade recheada de pessoas frias, sem emoções, onde o medo constante é visível, todos devem obedecer aos comandantes, pois as mulheres podem ser enviadas a campos de serviços forçados e os homens são sumariamente executados.
É esse tipo de mundo que corremos o risco de ver instaurado no Brasil, se determinado grupo de fanáticos conseguir instaurar seu golpe de estado. Desse grupo de pessoas que usam dos direitos de liberdade de expressão conquistados para exigir o fim da liberdade fazia parte a personagem que se mostrava preocupada com a taxa de natalidade. É nítido que ela não conseguiu um lugar de destaque na sociedade que ajudou a construir, assim como não vão consquistar as mulheres que atualmente ajudam homens reacionários em seus projetos de poder.
A personagem passou a ser uma pessoa triste, solitária, relegada ao ostracismo e futuramente punida por tentar subverter a ordem instaurada tecendo a leitura de um trecho da bíblia. Ela deveria ter pensado antes, pois o regime nunca escondeu que seria algo parecido com aquilo. Ela está colhendo o que plantou. Mas ela acreditava com sinceridade que estava fazendo o que era melhor para todos. Por isso, temos que sempre tentar alertar essas pessoas que estão iludidas com esse discurso de que pessoas fanáticas e intolerantes só querem recuperar seu status de poder e subjugar os demais. Muitas pessoas que hoje apoiam essas ideias acabarão como a Serena Joy: oprimidos e infelizes. A verdadeira liberdade está em não precisar fingir ser algo que você não é.
One Response to Quem planta batatas não colhe cenouras