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Perigo Iminente                                                            

Por Amelie Covey

Toda sexta-feira 13, era como um feriado para mim e minha família no Colorado, nós sempre gostamos muito de filmes de terror e casos criminais, principalmente aquele sobre os irmãos Menendez, ficamos obcecados por dias lendo sobre. Neste “feriado” não foi diferente, estávamos indecisos sobre o que fazer para comemorar, meu pai estava na sala de estar com a fogueira ligada, e minha mãe havia saído para ir atrás de coisas assustadoras para a decoração da sala, quando de repente o telefone começou a tocar:

– Alô? – Meu pai disse. – Não estou entendendo, quem é você?

Foi quando de repente meu pai, Eric, deixou o telefone cair no chão e gritou meu nome desesperadamente.

– Amelie, venha aqui agora! –

Meu corpo inteiro se arrepiou instantaneamente, sabia que não era apenas algo bobo, ele nunca me chama assim, normalmente apenas refere-se a mim como Mel, um apelido carinhoso. Desci as escadas correndo, pois estava em meu quarto, no andar de cima, tropecei, porém continuei de pé, ao chegar na sala, meu pai olhou para mim com uma lágrima no olho escorrendo e disse:

– Winchesters!

– O que tem os Winchesters? – Perguntei

– Eles ligaram para mim agora, e infelizmente não foi para dar uma notícia boa. Você sabe, Winchesters são sinônimo de problema. – Eric com voz séria e um olhar vazio em seu rosto respondeu.

– Aconteceu algo com o Tio John, não foi? – Perguntei a ele

Tio John estava mal a um tempo, logo após Tia Mary morrer ele piorou muito, a cada semana estava em uma cidade caçando “criaturas sobrenaturais”, na cabeça dele o acidente que minha tia havia sofrido envolvendo incêndio foi na verdade um homicídio qualificado. Eu sempre achei tudo muito estranho, meu pai dizia que era apenas bobeira dele e pedia para eu não me meter nisso. Tio John não era meu tio de sangue, mas meu pai o considerava como um irmão após anos de trabalho em seja lá o que ele trabalhava. 

Papai disse que precisava sair para ajudar meu tio, pois ele estava correndo um sério perigo, mandou eu trancar as portas e não deixar ninguém entrar, nem que fosse a minha mãe. Não questionei, apenas obedeci, mas de repente se passaram horas e horas e ele não voltou.

Estou preocupada, meu pai não voltou até agora, sinto que algo está muito errado, tentei ligar para o telefone que ligou aqui para casa, porém não tive respostas, será que ele está bem? Será que ele achou o John? E enquanto aos filhos de John, onde estão? Tantas perguntas sem respostas, já sou ansiosa naturalmente, imagine agora nessa situação, eu sinceramente não consigo imaginar minha vida sem meu pai, aprendi tudo o que sei com ele, esportes, pesca, como caçar, como me virar, etc. Ele é definitivamente meu melhor amigo, nunca sequer ficou mais que um dia fora de casa, o que é tão perigoso que nem eu possa saber? E a minha mãe? Onde ela está? Foi fazer compras e não voltou até agora. Fiquei tão confusa que meus pensamentos me impediram de ouvir a porta abrir, foi quando senti uma respiração forte atrás de mim e um cheiro de menta quase que imperceptível, só havia uma pessoa que eu conhecia que tinha aquele cheiro, mas não podia ser. Fiquei imóvel, pensei que fosse algum ladrão, tomei coragem, peguei uma faca que estava na minha frente e rapidamente me virei tentando acertar a pessoa.

– Quem é você?! – Perguntei

O indivíduo foi realmente mais rápido do que eu, sabia até lutar, me colocou contra a parede brutalmente e disse:

– Rapaz, quase que você machuca meu rostinho lindo. 

Eu olhei assustada para ele, era bem pior do que eu imaginava, ainda não acreditava que era ele, mas realmente, o impossível não há.

– Winchester – Disse olhando no fundo de seus olhos com raiva extrema.

– Saudades? – Ele respondeu.

Ele não era um Winchester comum, era um dos irmãos Winchesters, Dean Campbell Winchester. Os conheci quando éramos muito novos, eu tinha dez e eles doze anos, atualmente tenho dezesseis. Ele é irmão de Samuel Winchester.

– Era melhor você ter ficado fora de nossas vistas, o que fez com meu pai? – Perguntei.

– Como assim? Eric não está aqui? Vim ver ele – Dean respondeu.

– Não se faça de desentendido, Winchester, sei muito bem o que você e sua família aprontam, me diga agora onde ele está! – Eu disse com raiva extrema.

– Olha, eu realmente não sei do que você está falando, nós vimos sim o Eric e pedimos ajuda para ele em um caso, mas ele disse que não queria se meter mais nisso e que iria voltar para casa, ele parecia alterado, então viemos ver ele. – Dean falou.

– Nós? – Perguntei – Achei que estivesse sozinho, Sammy veio com você? 

– Lógico, não sou louco de deixar meu irmão estragando sua vida naquela faculdade de babacas. – Dean retrucou.

– E onde ele está? – Perguntei.

– Atrás de você – Ele respondeu rindo.

Achei que fosse blefe dele, mas me virei para trás e vi Sam, um homem de 1,95 de altura aproximadamente, olhos castanhos esverdeados, ombros largos, cabelo castanho desgrenhado, nem curto e nem grande. Sam era realmente bonito, não me lembrava dele assim, está até sem franja e definitivamente maior que o irmão, o que é irônico, pois quando ele era pequeno sofria bullying dos colegas de escola por ser baixo demais.

Dean tinha uma aparência parecida, tirando algumas características, Sam tinha uma cara de cachorrinho abandonado, já Dean tinha uma marra enorme, eu tinha medo dele quando eu era pequena. Dean com seus 1,86 de altura, era atraente, tinha o cabelo curto cortado, loiro escuro e olhos esverdeados, as mulheres matariam para ter ele, digo isso porque já vi algumas brigando só para conseguir ter o privilégio de se deitar com ele, nem que fosse apenas por uma noite, ele era fã de rock clássico, sarcástico e vestia roupas como um jeans meio escuro, blusa preta e sua jaqueta preferida cor verde escuro musgo. Sam vestia algo parecido, um jeans claro, camisa xadrez vermelha e uma jaqueta marrom claro.

– Oi, Mel, como você está? – Sam perguntou

– Quem você pensa que é para ficar assustando as pessoas assim? – Respondi estressada.

– Ela não mudou nada – Sam disse rindo enquanto tentava cobrir a boca.

– Eu avisei. – Dean respondeu – Sempre na defensiva.

– Estou cansada disso, vou dormir, muita informação para processar. – Respondi brava.

– Ótimo, no Impala tem lugar. – Falou Dean.

– Ela vai acordar com dor nas costas, isso sim – Sam respondeu em tom de sarcasmo.

– E quem disse que eu vou dormir no Impala?  – Perguntei. – Se liga.

– Sozinha você não vai ficar, vamos logo para não perder tempo. – Dean respondeu.

– Não vou nem que a vaca… – Antes que eu pudesse terminar a frase, Dean me interrompeu:

– Sammy pega ela, você é mais alto e consequentemente mais forte. –

– Você não pode simplesmente falar com ela? – Sam respondeu.

– Você sabe meu modo de falar, ou ela entra no carro, ou ela leva uma panelada na cabeça. – Dean nem hesitou em falar.

– Eu ainda estou aqui, ouvindo tudo, vocês sabem né? – Falei. Com certeza, paciência não era uma das virtudes de Dean. – Não quero acordar com uma panela na minha cabeça.

– Ótimo, então colabora, Covey. – Dean retrucou.

Não tive escolha, tive que ir com eles, mesmo sem entender nada da situação. Eu odiava quando eles me tratavam assim, na cabeça deles eu não tinha nenhum direito de escolha do que eu queria, Sam até que era legal comigo, mas Dean agia como se fosse minha babá, era um saco ter que suportar isso, se meu pai estivesse aqui, tudo seria melhor. Depois de horas de viagem, finalmente decidi falar.

– Para onde estamos indo mesmo? – Perguntei.

– Kansas – Dean respondeu enquanto dirigia o Impala 67.

– E por que estamos indo para lá? – Continuei fazendo perguntas.

– Para ir atrás de seu pai, Bob disse que o último caso que ele trabalhou aconteceu lá – Dean responde.

– E por que não coloca uma música no rádio? – Perguntei.

– Por que não para de fazer tantas perguntas? Sam está dormindo, você vai acordá-lo, além disso ser muito irritante – Ele respondeu impaciente.

Virei meu rosto para a janela e comecei a admirar as paisagens, apenas havia árvores e estrada, o sol ainda estava lá, me olhando bem de longe.

–  Escolhe uma música aí e me passa para eu poder colocar no rádio logo. – Disse Dean, me entregando uma caixa com várias fitas.

– Montell Fish, Paramore, Evanescence? Achei que gostasse de Rock. – Eu disse.

– Não sobrevivo somente por Rock, se procurar mais fundo você acha Eminem, Michael Jackson, entre outros. – Dean respondeu.

– Coloca Better Off do Montell Fish então, quero descansar. – Respondi.

– Ok, agora dorme e me dá um pouco de paz. – Dean respondeu. 

E então a música começou:

Better off not in love

But I fall for it every time

Better off not in love

But I fall for it every time

E então eu adormeci. Enquanto eu dormia, Sam acordou e perguntou para Dean o porquê do carro estar tão quieto, Dean apenas respondeu que eu finalmente adormeci, ambos se entreolharam e após isso olharam para mim com um olhar doce.

8 horas se passaram e finalmente chegamos ao Kansas, nunca pensei que uma viagem seria tão cansativa como essa foi, Dean parecia saber de algo que eu e Sam não fazíamos ideia, me senti  preocupada e com uma sensação estranha.

– Chegamos! – Disse Sam.

Acordei com a minha cabeça explodindo de dor, provavelmente foi por causa das paredes desse carro velho, finalmente chegamos e eu me senti muito mais aliviada ao sair daquele ambiente.

– Algo não está certo, você tem certeza que Bob está aí? – Eu falei enquanto saía do carro.

Paramos em frente a um galpão estranho, ele era grande e vazio, parecia estar abandonado a um bom tempo, algo me dizia para não entrar lá, era como se fosse uma força obscura tentando me afastar. Logo ao lado do galpão, havia uma floresta bem escura de madeiras de carvalho, logo me lembrei daquele bolo “Floresta Negra”, para mim era igual.

– Do que você está falando? – Sam respondeu.

– Deixa de bobeira, vamos entrar. – Dean completou.

E então entramos, mas tornei a perguntar.

– Qual era o “trabalho” do meu pai aqui? 

– Ele estava caçando um Rakshasa – Disse Sam enquanto ligava uma lanterna, aquele lugar estava tenebroso.

– Raka o que? – Perguntei.

– Rakshasa, eles são monstros que podem abrir portais para qualquer dimensão, e quando adultos, eles atingem a habilidade de se transformar em qualquer pessoa através da metamorfose – Sam complementou.

Por que será que Dean está tão calado?

– Ah, que ótimo, vocês decidem caçar um monstro que muda de forma sozinho, sem nenhuma ajuda e esperam não morrer? E pior, ainda me trazem para assistir. – Disse eu enquanto ria.

Chegamos em uma parte do escura galpão e que tinha um cheiro absurdamente ruim, era como se tivesse algo morto lá.

– Eu não vou morrer. – Dean finalmente falou.

– E como tem tanta certeza? – Perguntei.

Senti calafrios em meu corpo enquanto nos aprofundamos do ambiente e procuramos mais a fundo o cheiro, foi quando tropecei em algo que começou a se mexer, entrei em completo desespero quando virei a lanterna para o chão, apontando para a coisa.

– Vocês vão. – Dean finalizou.

– Não pode ser! – Gritei desesperadamente.

O que estava jogado no chão era nada mais e nada menos do que o corpo de Dean, ele ainda estava vivo e se mexendo, tentava gritar com as poucas forças que restavam, mas a boca dele estava tampada com fita isolante. O Dean que estava o tempo todo conosco, era na verdade um Rakshasa adulto, que tomou sua forma e corpo e agiu como ele para nos atrair para cá. 

Sam, vendo toda a situação, correu por trás do Rakshasa e o apunhalou com a faca de Ruby – uma demônia perigosa que eles haviam matado uma vez e usufruíram de sua faca, que pode matar a maioria dos seres sobrenaturais, incluindo anjos e demônios.

– Você está bem, Amelie?! – Sam perguntou.

– Estou, precisamos ajudar o Dean. – Respondi.

Levantamos Dean e tiramos a fita de sua boca, ele estava ferido apenas na cabeça, foi quando ele rapidamente falou:

– Que alívio, quase virei jantinha de monstro.

– Você quer nos explicar o que diabos aconteceu? – Sam perguntou.

– Quando encontramos Eric, eu disse que ia ir atrás dele para saber o que aconteceu, lembra? Antes de irmos na casa dele. – Dean começou a explicar.

– Lembro. – Disse Sam.

– Eu realmente fui atrás dele, e o encontrei, tentei conversar com ele para entender o porquê de ele não querer nos ajudar mais no caso, foi quando ele me respondeu que não queria mais se meter nisso, pois tinha medo de não voltar para casa com vida e deixar sua filha sem um pai. Eric e a Madeleine não estavam muito bem e conversando sobre uma possível separação a um bom tempo, porém Madeleine não queria levar a Amelie com ela, pois ela já tinha um namorado fora do casamento, Eric não queria morrer e deixar Amelie sem ninguém. Foi quando o pior aconteceu, fomos atacados por dois Rakshasas, um grande e um filhote, Eric conseguiu fugir, mas o maior me pegou, assumiu a minha forma e consequentemente minhas memórias também, ele me deixou jogado no mato e o filhote me trouxe até o galpão, eles queriam ter comida por um bom tempo, então o mais velho foi atrás de vocês, na esperança de conseguir pegar Amelie, Sam e com sorte Eric. Ainda bem que vocês conseguiram pegar os dois, onde deixaram o outro? – Dean finalizou.

– Outro?! – Perguntei.

Dean olhou com olhos arregalados e se levantou rapidamente. 

– De novo não! – Sam respondeu.

Olhamos para o lado e vimos o filhote de Rakshasa abrindo um portal, pelo menos ele não podia se transformar em ninguém ainda por não ter idade o suficiente. O Rakshasa entrou no portal e todos nós corremos em sua direção.

– Não podemos deixá-lo escapar, entrem! – Gritei.

Todos nós entramos no portal e caímos de cara em algum lugar, estávamos em um deserto.

– Que merda! – Dean falou. – Peguem ele, ele vai fugir.

Foi quando o Rakshasa abriu outro portal e entrou.

– Não, Não, Não! – Gritei enquanto socava a areia com minha mão direita, jogada no chão.

– Lá se vai a nossa chance de sair daqui. – Sam disse enquanto se levantava.

Foi quando de repente, ouvimos gritos se aproximando muito.
– O que é isso? Estão ouvindo? – Perguntei.

Todos nós nos levantamos.

– Tomara que não seja o resto da família do monstrinho. – Sam respondeu.

– Monstrinho? Aquilo lá era um monstrão, você não sentiu o bafo dele não? – Dean retrucou.

Foi quando inesperadamente, Dean gritou:

– Ai! –

Três pessoas caíram do céu aleatoriamente e sem nenhuma explicação, uma delas caiu nas costas de Dean, o derrubando no chão na hora.

– E eu achando que não tinha como piorar a situação. – Falei.

Eram três crianças, com aparentemente 10 anos de idade, uma menina e dois meninos. A menina era ninguém mais e ninguém menos do que Mary Lennox do livro “O Jardim Secreto”, ela tinha a aparência igual a dos livros, loira de cabelo bagunçado, branca e indiana. Os outros dois eram Dickon e Colin, por sorte Colin caiu com a sua cadeira de rodas em cima das costas de Dean, então não se feriu, diferente de Dean. Dickon era um menino de pele escura, cabelos crespos e nem tão magro, mas também nem tão gordo. Já Colin era de aparência triste, olhos grandes e magro, seu cabelo às vezes mudava de cor dependendo da luz que refletia em seus fios, uma hora estava ruivo e na outra loiro, ele utilizava uma cadeira de rodas por não conseguir se locomover muito bem sozinho.

Todos se levantaram, menos Colin, que estava jogado em cima de Dean.

– Oh, céus, onde viemos parar? – Disse Mary confusa.

– Alguém tira esse pirralho de cima de mim, pelo amor de Deus?! – Dean perguntou.

– Pirralho? Olha bem como você se refere a mim! – Colin respondeu.

– É melhor você continuar calado, eu que salvei essas suas perninhas de frango – Dean retrucou.

– Era melhor ter caído na areia, suas costas são duras e desconfortáveis – Colin tornou a responder.

– Então vaza moleque – Dean respondeu enquanto se levantava e deixava Colin cair no chão.

– Você por algum acaso tem algum problema, menino? – Dickon retrucou para Dean.

– Na moral, o que tá acontecendo? – Sam perguntou.

– A forma que essas pessoas falam parece até outra língua. – Mary disse rindo.

Dickon colocou Colin em sua cadeira de rodas.

– Bem melhor do que falar igual um velho o tempo inteiro. – Dean retrucou.

– Gente…– Falei.

– Você poderia ter a decência de me respeitar? – Mary respondeu a Dean.

– Pessoas, podem me ouvir? – tornei a tentar falar.

– Vocês aparecem do nada e ainda querem ter alguma moral sobre nós? – Dean respondeu.

– Calem a boca! Estou tentando falar algo importante e vocês ficam brigando igual crianças. – Iniciei. – Estão gritando tanto que nem chegaram a ouvir alguém gritando, prestem atenção. –

– Como assim? – Sam perguntou.

Foi quando todos ficaram em silêncio absoluto e ouviram os gritos, uma voz feminina e quatro masculinas. 

– Tá chegando muito perto… – Dickon falou.

De repente cinco pessoas caíram do céu. Todos nós nos entreolhamos assustados.

– Agora pronto, começou a chover pessoas do céu. – Falei.

– Tá chovendo hambúrguer – Dean respondeu rindo.

– Quê? – Colin disse confuso.

– Nossa, em que década vocês vivem? – Dean disse com cara confusa.

Foi quando as pessoas decidiram se levantar do chão de areia. A menina tinha cabelos castanhos e grandes, vestia um vestido azul bebê e com detalhes feitos de branco, ela usava sapatinhos vermelhos e brilhantes, tinha pele clara e olhos castanhos. Um dos homens era um homem feito totalmente de lata. O outro homem era feito totalmente de palha. E o último homem que a acompanhava era na verdade um leão corajoso. Foi quando o último homem se levantou muito confuso, ele era tão pequeno que quase não o notamos, tinha aproximadamente 50 centímetros de altura, do tamanho de meu polegar.

– Não pode ser! – Eu disse.

– O que foi? – Sam perguntou.

– São os personagens do livro “O mágico de Oz” – Completei.

– Que? Como sabe de onde eu vim? Você foi enviada pela bruxa? Onde estou? – Dorothy perguntou.

– Se acalma, estamos aqui pelo mesmo motivo. – Sam falou.

– Olha lá, uma formiga de roupas – Dean disse rindo.

– Me respeite, por favor! – Disse o homenzinho com voz fina, porém brava.

– Você deve ser o pequeno príncipe, certo? – Perguntei.

– E como a senhora me conhece? – Disse o pequeno príncipe.

– Me fiz a mesma pergunta. – Disse Dorothy.

– Bom, como vocês podem ver, somos todos de dimensões diferentes, e na minha dimensão vocês fazem parte de três livros diferentes: “O jardim secreto”, “O pequeno príncipe” e “O mágico de Oz”. Só não sei explicar o porquê de termos vindo para cá, todos nós. – Eu respondi.

– Eu sei… – Sam iniciou. – Bom, em nossa dimensão existe um monstro chamado Rakshasa, quando filhote ele pode abrir portais para outras dimensões, toda vez que ele abre um portal para outro lugar, um novo portal é aberto temporariamente em outra dimensão. Como ele abriu um para ir para nossa dimensão, deve ter aberto outro na dimensão de Mary Lennox, e quando ele fugiu para este deserto, abriu outro portal na dimensão de Dorothy, e por fim, para ir embora, abriu outro que consequentemente trouxe o pequeno príncipe para cá. – Sam finalizou.

– Então, basicamente estamos presos? – Perguntei.

– Talvez…– Sam falou.

– Olha, eu não sei se isto pode funcionar, porém, eu tenho uma ideia. – Dorothy disse.

– Pode falar. – Dickon respondeu.

– Eu tenho estes sapatos vermelhos, toda vez que eu bato meus calcanhares três vezes, tenho direito a três desejos que os macacos alados podem cumprir. Só tem um problema… – Dorothy falou.

– E qual seria? – Colin perguntou.

– Aqui temos quatro dimensões diferentes, alguém precisa usar os sapatos além de mim, pois daí teremos seis desejos. – Dorothy respondeu.

– A Mary pode usar. – Respondi. – Seus pés são pequenos por se tratar de uma criança, vão caber nela. 

– Ok, eu uso, mas e os outros desejos que sobrarem? – Mary perguntou.

– Olha, você usa primeiro, nos leva até a dimensão do pequeno príncipe e o deixamos lá, após isso, você nos leva até a sua dimensão, te deixamos lá com Dickon e Colin, eu pego os sapatinhos, e então levarei Sam, Dean e Amelie para a sua devida dimensão, após isso, voltarei para a minha com o homem de lata, com o leão e com o espantalho. – Dorothy terminou de contar a sua ideia.

– Perfeito, vamos. – Eu disse.

E assim foi feito, Mary colocou os sapatos e bateu seus calcanhares três vezes, os macacos alados chegaram e fizemos os pedidos, após todos os outros voltarem para suas dimensões, restaram nossa dimensão e a de Dorothy, ao chegarmos em casa, fiz um pedido para Dorothy.

– Ei, será que posso pedir um favor? – Iniciei.

– Claro! – Respondeu Dorothy.

– Percebi que ainda vai restar um desejo e queria uma ajuda sua, meu pai desapareceu e eu não consigo achá-lo de maneira alguma, poderia trazer ele de volta para a nossa dimensão, na minha casa de preferência. – Finalizei.

– Sem problemas! – Dorothy assentiu.

Voltamos para nossa dimensão e os macacos alados trouxeram meu pai de volta, ele estava desesperado e com a sua roupa toda suja e rasgada, ele nos agradeceu tanto, pois estava prestes a ser morto, mas isso é história para outro livro. Agradecemos Dorothy por nos ajudar, e nunca mais vimos o Rakshasa filhote, bom, pelo menos até agora…