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Uma paixão pode destruir vidas!

Kawany Vitória

Seraphine era uma mulher feliz, e cheia de sonhos. O seu maior sonho era casar, ter uma filha, e viver feliz com a sua família.

A mãe dela sempre dizia:

– Filha,  antes de pensar em casar, você deve pensar em estudar, casamento é uma coisa muito séria, e pode ter consequências.

– Mãe, meu sonho é casar, e ter uma filha, e é isso que eu vou fazer. Vou estudar,  mas só depois de casar.

Seraphine sempre ia em uma pracinha, perto de sua casa. Na esperança de encontrar o seu príncipe encantado, ela se arrumava, se perfumava toda, e ficava horas, e horas na pracinha. Um dia ela viu um homem bonito, elegante, forte, de olhos azuis passando. Foi paixão à primeira vista, no mesmo instante ela já sabia, que ele seria o pai de sua filha. Naquele dia houve uma troca de olhares, mas eles não conversaram.

No outro dia, ela se arrumou toda, vestiu o seu vestido mais bonito, usou o seu melhor perfume, e foi na pracinha. Ela tinha certeza que ele passaria lá novamente, e ela estava certa, ele realmente passou lá de novo, ela sorriu para ele, e o seu príncipe encantado correspondeu.

– Prazer,  me chamo Seraphine, qual é o seu nome?

– Prazer, o meu nome é Ruben, sou novo na cidade. 

Depois disso eles ficaram a tarde toda conversando.

Quando Seraphine chegou em casa, sua mãe estava sentada no sofá, com um rosto aflito.

– Mãe, o que aconteceu? Por que a senhora está assim?

– Eu vi você conversando com aquele homem, minha intuição diz que ele não é uma boa pessoa.

– Mas você nem conhece ele.

– Minha intuição não mente.

Seraphine nem ligou, achou que era só preocupação de mãe. Ela continuou vendo o Ruben todos os dias, durante três meses. Até que ele pediu ela em casamento. Ela pulou de alegria, e obviamente aceitou, foi correndo para casa e contou para Rosana, sua mãe. Rosana novamente falou que Ruben não era um homem bom, mas se era a vontade da filha, ela aceitaria. Seraphine logo começou a planejar tudo.

Tinha tantas coisas para pensar, vestido, buquê de flores, salão de festa, convidados…

Ela não conseguia parar de pensar no casamento, o seu maior sonho estava se realizando. A mãe dela se comprometeu em fazer o seu vestido de noiva, e o noivo iria pagar todo o restante.

Passaram-se nove meses, e tudo já estava pronto, o pai de Ruben deu uma casa para eles, o relacionamento com o noivo estava perfeito. Só faltava um detalhe: o casamento.

Quando finalmente chegou o grande dia, estava tudo magnífico, todos os amigos e familiares reunidos, a decoração estava impecável, o céu estava ensolarado. O vestido que Rosana fez estava perfeito, era rendado, cheio de pérolas brilhantes. Foi um casamento dos sonhos.

A lua de mel foi em Paris, foram 15 dias de amor. Seraphine achou que seria feliz para sempre. Até que eles voltaram para casa, logo aquele sonho se tornou um pesadelo. Ruben, que parecia ser um homem perfeito, se tornou agressivo, ciumento, possessivo e manipulador. Com o passar do tempo ele começou a proibir a sua esposa de sair de casa, ele falava que os homens olhavam para ela com um olhar maldoso, e Seraphine, que não queria brigar com o seu tão sonhado marido, aceitava tudo sem reclamar.

O sonho dele era ser pai de um menino, já ela sonhava em ter uma menininha. Com três meses de casamento, seraphine engravidou. Durante a gravidez seu marido tratou ela bem, apesar do ciúme, até o dia em que fizeram um exame, e descobriram que seria uma menina. Naquele dia foi a primeira vez que Ruben bateu em sua esposa, ele bateu em Seraphine até ela desmaiar.

Ele começou a beber, e o marido que parecia ser um verdadeiro príncipe encantado, se tornou um alcoólatra. Ele chegava bêbado em casa, quebrava tudo, e batia nela.

Quando Rosana perguntava o porquê de nunca poder ir na casa dela, Seraphine inventava uma desculpa, e mesmo sofrendo constantemente nunca teve coragem de falar a verdade.

A gravidez dela foi completamente conturbada, e acabou se tornando uma gravidez de alto risco, Seraphine vivia no hospital, e ainda apanhava quase todos os dias do marido. Por mais que Ruben fosse um homem muito rico, ele não comprava nada para a filha. Tudo que a neném tinha foi Rosana que deu. Rosana era uma mulher boa, e amava muito a filha, por mais que ela tentasse muito, só conseguia ver a filha no hospital. Ela sempre dava conselhos para Seraphine se separar do marido, e voltar para a casa, mas ela era completamente dependente do marido, e não queria se separar. Além disso, Ruben humilhava muito ela, ele dizia que nunca mais alguém ia querer ela, até porque quem iria querer uma mulher pobre, e com uma filha? Esse é o pensamento de um homem machista, que mesmo destruindo a vida de uma mulher, se sente dono dela.

Depois de oito meses, de muito sofrimento, Dayene nasceu, desnutrida, e praticamente morta. Seraphine se viu completamente perdida, sem esperanças, e sem fé, ela achou que a filha dela não iria sobreviver. E enquanto isso Ruben estava no bar, com a sua amante, ele nem sequer foi ao hospital, ou ligou, para perguntar delas.

Dayene ficou três meses internada, entubada e vivendo à base de medicação. Rosana nunca perdeu a fé, e isso fez com que Seraphine recuperasse as esperanças, e até que enfim, depois de muito sofrimento, Dayene saiu do hospital forte e sorridente, nem parecia que ela tinha sofrido tanto.

O genitor dela nunca a amou, nem sequer foi ao cartório registrar a neném, ou a pegou no colo, parecia que ele tinha nojo da própria filha. Quando Dayene chorava, ele surtava e ia para o bar. Quando ele chegava, humilhava e batia na esposa, tinha dias que ele saia e ficava dias e dias fora de casa. Seraphine desenvolveu depressão pós-parto, ela se sentia uma péssima mãe e esposa.

Um dia Rosana chegou de surpresa na casa de sua filha. Ruben ficou assustado, mas aceitou a visita de sua sogra, enquanto ela estava na casa, Ruben virou outra pessoa, tratou Seraphine bem, pegou a neném no colo, (coisa que ele nunca tinha feito), e até deixou a esposa ir na feira com a mãe dela. Rosana sabia que aquilo tudo era uma grande mentira, quando elas foram à feira, Rosana chamou Seraphine para fugir, mas ela não quis, pois tinha medo do que o marido poderia fazer. A mãe dela ficou três dias na casa dela, e Ruben se ofereceu para levar ela até o aeroporto, mesmo com medo, Rosana aceitou. Durante a viagem Ruben parou o carro em uma estrada deserta, estrangulou a sogra, e a jogou no meio do mato.

Passou-se uma semana e os familiares começaram a sentir falta de Rosana. Ligaram para Seraphine, mas ela não tinha notícias, quando Seraphine desligou o telefone ela entrou em crise, pois ela tinha certeza que o marido tinha feito alguma coisa. Nesse momento, ela sentiu um ódio muito grande, se levantou e foi até a delegacia falar tudo o que ela sabia.

Chegando em casa Ruben estava furioso, ela gritou com ele e falou tudo o que ela guardava por anos, ele se sentiu desafiado e partiu para cima dela, ele bateu nela até a morte, deixou Dayene presa dentro de um quarto, e fugiu 

Uma semana depois Dayene  foi encontrada, suja e desnutrida. Ela foi levada para um orfanato, lá ela começou a apresentar sintomas de esquizofrenia, tinha alucinações e muito medo. Ela falava que tinha conhecido Mary Lennox, Colin Craven, e Dickon Sowerby. Ela falava que eles tinham encontrado um aviador, e que ele estava procurando o pequeno príncipe, que tinha se perdido no deserto que margeia Oz. Todos ao seu redor ficaram assustados, ninguém queria ficar perto dela, diziam que ela estava completamente louca. Ela já foi adotada, mas quando  começava a falar sozinha, ter alucinações e dizer que via Mary, Colin, Dickon e o aviador procurando o pequeno príncipe, os pais adotivos ficavam com medo e levavam ela de volta para o orfanato. Dayene viveu assim por cinco anos, até que um dia uma diretora resolveu levar ela em uma psicóloga, ela fazia terapia duas vezes na semana. Depois de cinco meses de tratamento, com terapia e remédios ela teve o diagnóstico de esquizofrenia. Depois do diagnóstico tudo mudou na vida dela, as pessoas do orfanato entenderam que ela tinha muitos traumas. Eles começaram a enxergar ela de outra forma, não viam mais ela como um ET e sim como um ser humano, que mesmo sendo tão nova, já tinha passado por muitas coisas.

         Finalmente ela conseguiu uma família que entendia a sua condição e estava disposta a amar e cuidar dela. Hoje ela é uma garota feliz, e leva uma vida normal, junto com a nova família dela.