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A busca pelo pequeno príncipe 

Pedro Henrique Bonfim

Após muitos dias respirando o ar puro do pântano, arrancando ervas daninhas, plantando novas flores e hortaliças, pulando corda e brincando, Colin Craven, Mary Lennox e Dickon Sowerby estavam com a saúde – tanto física quanto mental – mais perfeito do que nunca. Colin não estava mais fraco, andando na cadeira de rodas, tendo ataques de histeria ou achando que um calombo iria crescer em suas costas; Mary não era mais a mesma criança amargurada, antipática, com os cabelos ralos e magra que chegara ao solar de Misselthwaite há 2 anos; e, apesar de Dickon sempre ter sido alguém muito ativo e saudável, após esses 2 anos ele estava muito mais feliz, pois tinha amigos, diversos animais de estimação e um jardim que ele podia chamar de seu. Certo dia, Dickon teve uma ideia que em sua visão era tão animadora e empolgante, que ele acabou não conseguindo guardar para si mesmo.

– Mary e Colin, vocês aceitam ir no chalé da minha mãe mais tarde? Já faz um bom tempo desde a última vez que nos reunimos lá, e eu tenho certeza que ela vai adorar ouvir todas as histórias que nós temos para contar. 

– Com certeza! – disse Mary – Que bom que você disse logo agora, já estou começando a pensar nas melhores histórias para contar a sua mãe.

– Eu também! – disse Colin, animado – Também vou adorar ir ao chalé de sua mãe. E depois de mais um dia como todos os outros, um dia comum, porém bom e revigorante, um dia arrancando ervas daninhas, colhendo hortaliças, comendo os deliciosos pães de uvas passas que a mãe de Dickon prepara quase todos os dias e brincando com o Pintarroxo e os animais de estimação de Dickon, Colin e Mary foram para o Solar de Misselthwaite – para tomarem banho e se arrumarem – e Dickon foi para o Chalé, para contar a ideia da visita para sua mãe e para preparar a casa para receber essa tão ilustre visita.

– O que você pensou em preparar para o jantar, mamãe? – Perguntou Dickon, preocupado com os mínimos detalhes. 

– Acho que vou fazer pão e requeijão caseiro, filho – Dickon adorou a ideia, pois apesar de parecer um jantar simples (e realmente ser) Dickon sabia que o requeijão e o pão caseiro de sua mãe eram os melhores do mundo. É como diz o ditado, às vezes menos é mais. Enquanto isso, Colin e Mary estavam terminando de se arrumar. 

– Estou com um mau pressentimento, Colin – Disse Mary, um pouco nervosa. 

– Como assim? 

– Não sei, sinto que algo ruim pode acontecer conosco. 

– Fique tranquila, Mary – Disse Colin, tentando reconfortar a prima – estamos cercados de pessoas conhecidas, se algo acontesesse conosco, o que eu acho quase impossível, a notícia se espalharia mais rápido que as folhas ao vento. 

– Tudo bem então, vamos lá! – Disse Mary, recuperando a confiança.

No chalé, os três contaram várias de suas histórias e aventuras e se empanturram com pães e requeijão caseiro que Susan tinha preparado. Como Dickon havia pressentido, os pães e requeijão caseiro foram as estrelas da noite. Em certo momento, Susan saiu do chalé para buscar mais leite fresco, quando de repente, os três sentiram o chalé estremecer um pouco. Em um primeiro momento, acharam que era apenas impressão, mas logo depois sentiram o mesmo tremor diversas vezes; até que de repente, o chalé começou a flutuar no ar e girar sem parar, e no meio de toda essa confusão, Dickon e Mary acabaram caindo no chão e batendo a cabeça, não com muita força, porém o suficiente para fazê-los ficarem desacordados. Colin olhou pela janela e viu que o chão estava ficando mais distante, confuso, ele não percebeu que estava escorregando, o que o fez também cair no chão e acabar desacordado.

No deserto que margeia oz, estava Lilian, uma jovem que tinha acabado de acordar e que estava confusa, pois não sabia como tinha chegado àquele lugar, estava se perguntando um milhão de coisas: “O que é este lugar?’’, “Como eu acabei vindo para cá?’’,”Como eu faço para sair daqui?’’, quando de repente, ela viu um chalé a uma certa distância, e então decidiu ir até lá. Ela abriu a porta, com um pouco de receio do que poderia a estar esperando lá dentro, até que encontrou Dickon, Colin e Mary, ainda um pouco confusos e desorientados. 

– Quem são vocês? – perguntou Lílian.

– Eu sou Mary.

– Eu sou Dickon. 

– Eu sou Colin, prazer em te conhecer, senhorita – disse Colin, pondo em prática o que ele havia aprendido com os manuais de etiqueta que costumava ler. 

– E você, quem é? – Perguntaram os 3 quase simultanealmente 

– Eu sou Lilian, como vocês chegaram aqui? 

– Não sabemos bem – disse Colin, tomando a iniciativa – parece que o chalé em que estávamos começou a levitar misteriosamente, e então aparecemos aqui, e você? Como chegou aqui?

– Aconteceu a mesma coisa comigo, minha casa começou a flutuar no ar, e de repente eu acabei desmaiando, e acordei aqui.

De repente, um avião apareceu no céu e foi em direção a eles. Quando o avião pousou, o Aviador exclamou: 

– Olá, quem são vocês? 

Os três se apresentaram, e então o Aviador disse: 

– Eu preciso da ajuda de vocês, eu estava sobrevoando esta área com um amigo, até que de repente meu avião começou a apresentar uma pane, e então caímos. Na queda eu fiquei desacordado por um tempo, e, quando acordei, meu amigo não estava mais no avião. Eu preciso da ajuda de vocês para encontrá-lo.

Vamos lá então! Disseram os 4 quase simultanemante.

Não muito depois, os 5 avistaram algo que se parecia com uma pessoa deitada na areia, e então eles pousaram o avião e se aproximaram da figura. Quando eles estavam a uma distância média, conseguiram ver que o que eles viram era o pequeno príncipe, aparentemente desacordado. Quando se aproximaram mais um pouco, uma misteriosa figura apareceu, como se fosse um fantasma

– Quem é você? Perguntou Dickon, curioso.

– Quem ou o que são definições que eu não me agradam muito, me vejam como… um devoto, uma personificação de algo que talvez seja do interesse de vocês. Me chamem de V. 

“V?” É o nome mais estranho que eu já ouvi! – pensou Colin. 

– O único interesse que eu tenho é levar meu amigo de volta para casa! – Disse o aviador, impaciente. 

– Que bom que você tocou no assunto – disse V – pois seu amigo me interessa muito também. 

– Por que ele te interessaria? Ele é apenas uma criança e temos que levá-lo de volta para casa! – disse Mary, ficando ainda mais impaciente que o próprio aviador. 

– Bom, deixe-me ser mais claro – disse V, quase que preparando um discurso. 

– Eu represento os interesses de um ser que vive por entre a imensidão deste lindo deserto, um ser cujo único desejo é se alimentar de tempos em tempos, e pelo jeito o seu alimento veio mais cedo desta vez.  

– E do que ele se alimenta? – perguntou Mary. 

– De almas, e o seu amigo aqui (o pequeno príncipe) tem uma das almas mais fortes e iluminadas que eu já vi, então eu imagino que o ser que eu represento ficará muito feliz de se alimentar da alma dele. 

– Mas nem que a vaca tussa! – gritou o aviador, ficando muito raivoso e desesperado. 

Logo após isso, todo o grupo foi o mais rápido possível de encontro ao pequeno príncipe. Quando de repente, o pequeno príncipe começou a ser levado no ar por um redemoinho de areia, aparentemente criado por V. Porém o grupo não se deu por vencido, e continuou indo atrás do pequeno príncipe através do avião do aviador. Até que então eles alcançaram o pequeno príncipe – que estava na parte mais alta do redemoinho – e Dickon o puxou para o avião. Porém V não teve a reação que eles esperavam, pois a única coisa que disse foi: 

– Até a próxima vez. 

E então o aviador deixou Dickon, Mary e Colin no solar de Misselthwaite, e agradeceu pela ajuda. 

Porém a pergunta que ficou pairando na mente de todos é: “Realmente irá ter uma próxima vez?”