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Saúde Dezantino

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Por J.J.Magodana.

De um dia para o outro ele aumentou de peso assustadoramente, esse peso passou a incomodá-lo. Danzetino era filho único, franzino até então. Adquiriu hábitos de levantar de madrugada para comer, principalmente o pudim que nunca faltava na geladeira. Sua mãe, percebendo esse hábito, substituiu por bolo. Quando o menino procurou por pudim, não achou nem o cheirinho. Foi um escândalo, quebrou pratos, falou palavrão. Acordou os pais e alguns vizinhos sensíveis a um simples barulho, como o voar de mosquito. As luzes das casas circunvizinhas foram acesas.

No dia seguinte sua mãe, dona Ana Paulínia, que também não resistia a um doce, fez bolo para sobremesa.

“Coma um pedacinho, filho”, mas ele emburrado não deu ouvido, ignorou os apelos da mãe. À noite, como de costume, levantou no frescor da madrugada para, sem ninguém ver, cortar um pedaço do bolo. Fartou-se. Estava com raiva por não ser pudim. Tomou leite com chocolate, subiu e deitou-se na cama.

Meses depois, ele tinha ganhado peso suficiente para incomodá-lo. Começaram as piadas indesejáveis de amigos da escola. Havia alguém querendo pegar suas bochechas. Seguia a rotina de madrugador e assaltante de geladeira. Voltava para cama. Tinha desenvolvido habilidade de roncar. Roncava como porquinho no chiqueiro. Sua mãe preocupada levou-o para tratamento, mas o médico nada sutil, dizia que a solução era mesmo exercícios e mudança de hábitos. A mãe do Danzetino chegou a pensar que o médico não gostasse do seu filho, “aquele doutor não gosta de crianças”, assim pensava, enquanto isso o menino não queria saber de obedecer à recomendação do médico.

Danzetino, seguiu com os hábitos, comendo, roncando. Enquanto isso os colegas aplaudiam “Gordinho, bochechudo, vai, vai”. Ele se orgulhava dos comentários, mas queixoso, nalgumas vezes, apresentou uma reclamação para professora.

“Professora, essa cambada está a chamar-me, nomes. Isso não é bullying? Acho que é preconceito”. A professora, pouca importância deu a queixa. Os colegas zombaram. No dia seguinte sua mãe apresentou reclamação por bullying. A escola apurou o caso e constatou que realmente havia excessos e abusos. Demitiu a professora e repreendeu os alunos.

Ana Paulínia, preocupada com a saúde do menino, comentou com as colegas.

“Compre uma esteira de correr, não diga que é para ele, comece você a andar na esteira que ele vai seguir o seu exemplo”.

Então ela foi ao mercado. Comprou a esteira. Ana Paulínia ligava o aparelho. Exercitava-se. Denzetino entrava no quarto, trancava a porta, ignorava totalmente as ações de sua mãe.

Danzetino seguiu, comendo doces, engordando, roncando. Sua mãe murmurava nos quatro cantos da casa. Mas numa madrugada fria, quase gelada, ele levantou para cumprir a rotina. Desceu para cozinha, porém quando chegou, viu uma vaca. Gritou, tombou. Começou a ter visões de boi, vaca e bezerro, ovelha, que o acusavam de ser traidor. Durante as férias escolares ia à fazenda do avô para brincar com os animais, fingir ser amigo. No entanto comia a carne, colaborava com a matança da boiada, alimentando os açougues. Quantos familiares dos bois não padeciam nos matadouros só para alimentá-lo, ele que era amigo dos animais durante as férias. Lembrava das ovelhas, que incansavelmente contava, dos frangos nas capoeiras, dos porcos nos chiqueiros. Então, ele começou a ver todos os animais da cadeia alimentar em sua volta, a julgá-lo. Gemia no chão gelado, pedindo desculpas, prometia nunca mais comer carne, chorava. “Peço perdão, peço perdão”. Sua mãe escutando os gritos desceu para ver o que estava acontecer. Ele tremia. Caído ao chão. Sua mãe acendeu a luz, quis saber. O menino sonâmbulo acordou assustado. Levantou, não falou nada. Subiu para o quarto. Sua mãe olhou e não viu nada, sem entender acompanhou o filho.

No dia seguinte Donzetino, manteve silêncio, com ninguém falava. Não almoçou. Ficou a pensar nas visões que teve. Diante do bife na mesa ficou a olhar, não comeu. Pensou: Os animais estão reclamando seus filhotes. Se comer os legumes, será que não vão reclamar também? O animal possui sangue, as plantas a seiva. De qualquer forma jorrará líquido tanto cá, quanto lá, meu Deus do céu. Foi pensando, vendo monte de alface, couve, milho, cenoura, toda a cadeia alimentar a reclamar pelos que padeceram para alimentá-lo. Gritou, caiu sobre o prato recheado de comida que sua mãe fez. Desesperada dona Ana Paulínia chamou o médico. Donzetino foi levado às pressas para o pronto socorro. Ficou internado durante uma semana, alimentando-se de soro.

Quando regressou a casa, ele mesmo já havia decidido: alimentar-se-ia apenas com o que achava absolutamente necessário, com a quantidade mínima possível. Passou a estudar para entender de que maneira poderia cá viver sem destruir a natureza por ego, prazer ou simplesmente comer por nada.

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